sexta-feira, 11 de julho de 2014

Fluência



Ser rio faz diferença
O rio flui, desemboca.
Tem dinâmica pretensa.
Enérgico, tem pororoca.

É fluente, não empoça.
Livre que é, se renova.
O lago, uma grande poça
Inerte na funda cova.

O lago é estagnado,
Não flui, tem águas apáticas,
Que não atraem ao nado,
Mas o rio pede táticas.

Todo rio é feérico,
Tem bagagem ancestral,
Mas para o lago o mérito
É ser apenas normal.

E, sendo assim, eu me vejo
Um pouco meio lacustre.
Olho os rios e antevejo
Um destino mais ilustre.

Quando, enfim, acedido
À qualidade fluvial,
O meu volume retido
Sobrepuje o banal.

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