sábado, 21 de junho de 2014

A Degeneração dos Bons Hábitos



Quando vejo manifestações como a que houve no estádio Corinthians, o primeiro sentimento que me vem é o da tristeza. Sim , tristeza por ver lamentavelmente a degeneração dos bons hábitos, dos valores, justamente em nome da luta pelos direitos. Um verdadeiro contrassenso.

Depois me vem uma sensação inconveniente de desrespeito, de profundo desrespeito, afinal, ver tal tratamento direcionado a uma chefe de Estado, seguramente, é algo muito desconcertante para quem tem o mínimo de bons modos. Um desrespeito que se estende a toda a nação, inclusive aos próprios manifestantes responsáveis pelo ato, se pensarmos na repercussão que algo desse tipo gera.

A seguir, me vem um sentimento denso de desilusão, de receio pelo que nos aguarda no futuro, que aliás, pode estar muito próximo. Algo assim como a justiça com as próprias mãos. Temo ter que  assistir com maior  frequência a cenas mais grotescas do que essa, visto que já se assistiu bem antes do incidente em pauta a situações em que as pessoas agem inconsequentemente julgando-se salvaguardadas pelo direito de dessa forma agir mediante o descaso dos dirigentes governamentais, que dia a dia, se  avoluma.

Penso também na ausência do equilíbrio emocional, algo que contribui para atitudes precipitadas, aquelas que, em parte, nos lembram  o instinto animal. Isso, manifestado numa coletividade, acaba por gerar a reação em cadeia que houve no estádio e que foi demais divulgada aqui e em muitas outras partes do mundo. Então, me vem aquele pensamento, já tão gasto, sobre o fato de o brasileiro ser mal visto lá fora, tornando-se impossível não fazer a seguinte crítica: o mesmo brasileiro que questiona isso, suscitado pelo tratamento que recebe ou recebeu lá fora, age irresponsável e desrespeitosamente da forma que se viu no estádio ao ofender publicamente a presidenta do país. Como ele sendo alguém comum no país alheio, pode reivindicar tratamento respeitoso,  portando-se tão desrespeitosamente ao se dirigir à presidenta de seu país, desrespeitando  com esse ato também os estrangeiros ali presentes?

Por fim, concluo que estamos num país em que não se prima mesmo pela educação. E não falo apenas de desinteresse político, mas do desinteresse em massa, visto que, enquanto seres políticos e sociais, temos sim, tanto direito quanto dever de valorizarmos as boas maneiras, os valores humanos, algo que deve ser estabelecido na família, a primeira sociedade com que se tem contato. Não se pode falar em educação, nesse pormenor, atribuindo-a a pessoas que, em dado momento, estão ocupando um cargo político, que é algo momentâneo. Fora isso, não se pode se isentar dessa responsabilidade sobrepondo a ineficiência política a algo que é de responsabilidade de todos, já que somos todos seres pensantes. Ademais, um cargo político de pequena ou larga escala não faz do seu ocupante alguém melhor, mais educado, nem mais humano, disso deve se ocupar a família, como já dito, a primeira sociedade com a qual convivemos.

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