quinta-feira, 1 de maio de 2014

Voo Interno



Moviam-me as estrelas ao cintilarem.
Elas escondiam-se entre as brancas nuvens.
Eu movia os meus pés em repetidos saltos;
Mirava as aves e invejava-lhes as penugens
Finas e leves que lhes permitiam voos altos,
Como se fossem  um modo de elas  bailarem.

Mas o meu voo mesmo era um curso interno.
Eu via os reinos das cigarras cantadeiras
Injustiçadas pelas formigas no inverno,
Com suas carrancas de homens de terno
Negando o aconchego de suas lareiras.

E via as fadas azuis com suas varinhas
Cheias de condão  e de encanto.
E borboletas falantes com suas carinhas
Risonhas, vestidas com seus mantos,
Tão finos que eram transparentes.

E eram assim os dias, fossem tristes ou contentes.
Cheios de divagação sobre o mundo concreto
E sobre um mundo de fatos ausentes.
Um mundo colorido, leve e incerto.
Cheio de ilusões e vazio de coisas autênticas.

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