quinta-feira, 1 de maio de 2014

Quintessência



Escorre em mim  a liquidez de teu estado fluido.
Eu mergulho e me perco no teu curso confuso.
Um curso não livre:  por meu próprio descuido.
Presa, sem bússola, sem leme, perdida sem fuso...

Tentando um  grito que nunca, jamais berra.
Quão é impossível a mistura: água e óleo!
Saio do aquário e mais livre aporto em tua terra.
Um pouco de ti carrego como espólio.

Mas logo há perigo. Abraso-me  em teu  fogo,
Que  tinha ares de abrigo,  agasalho...
Recuo. Tuas  muralhas eram um jogo,
Mas o  retrocesso é insuficiente, falho.

Preciso de ar. Tento logo te respirar..
Encho os pulmões e então me sufoco
Sou um dirigível prestes a murchar.
Preciso de outro rumo e, portanto,  foco

Numa saída. Penso num último elemento.
Percebo que me resta tua quintessência.
Engano meu! Falta de percepção. Lamento!
Nada procuro além da tua congruência.

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