terça-feira, 13 de maio de 2014

Outro Tempo





Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem. (Marcel Proust)


Não era um tempo resultante de horas.
Era um tempo de atmosfera,
Sem esperas, sem demoras.
Um tempo vindo de dentro;
Visto pelos olhos da alma.
Um tempo trazido pelo pensamento.
Era um tempo vindo com o respirar profundo.
Não era um tempo de relógio;
Das coisas práticas deste mundo.
Era um tempo de passeio do pensar.
Era um tempo de aspirar o som.
De sentir das coisas o tom.
Um tempo que me renovava.
Diferente daquele que apenas passava.
Um tempo de degustar todos os bons cheiros.
Um tempo fragmentado em leves porções.
Um tempo de flores nos meus canteiros.
Nos meus canteiros de sonhos plantar;
Sem planos, sem obrigações...
Era um tempo que sempre aflorava
E que hoje, às vezes, ainda aflora.
Um tempo que não foi de todo embora.
Que me toca ainda como tocava.
Um tempo que não faz de mim escrava.
Pois deste minha alma é senhora.

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