terça-feira, 13 de maio de 2014

Verdes Asas

Não voara do ninho;
Não tinha asas ainda.
As asas vieram em seguida,
Mas vieram prematuras; ainda verdosas.
De dentro de sua alma linda,
Brotaram como brotam as rosas.
Era um frágil passarinho
Migrando só para a vida.
E meio sem horizonte,
Sem aconchego,
Olhava o cume do monte
E não pedia arrego.
Era lagarta sem casa,
Sem casulo...
Borboleta sem asa
Enfrentando o escuro
No meio do mundo.
Cedo findara-lhe a infância
E a vida de mendicância
Que lhe doía profundo.
Ganhara asas,
Grande envergadura.
De borboleta, apenas a beleza perdura.
O seu duro destino
Fê-lo falcão-peregrino.

Nenhum comentário: