sexta-feira, 11 de abril de 2014

Voo



Eu não sou nenhum poema.
Não tenho asas pra o voo,
Mas isso não é problema;
Tenho um súbito acorçoo.

Quando a evasão me leva,
Ela me pega a um passeio
Pelo clarão, pela treva.
Então, assim, meio a meio

Eu caio no chão, rastejo,
Mas me ergo, me levanto.
Entre pranto e gracejo
Eu me divirto ou me espanto.

Eu voo mesmo sem asas.
Eu não sou mesmo alada,
Mas as palavras são brasas,
Se fico quieta, calada.

Por isso, minha evasão
Forma um belo par de asas.
Então, eu saio do chão
E sobrevoo as casas.

Mesmo quieta, inerte
Eu voo longe da vida.
Com o sonho tenho flerte
Sem comando, sem medida.

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