sexta-feira, 11 de abril de 2014

Substrato


Do livre autorretrato
Que fiz de mim algum dia,
Escorre um ponto abstrato
Entre mim e a ousadia.

É um retrato borrado,
Feito rascunho à tinta.
Não sei se está errado
Ou se minha alma pinta.

Nele encontro veredas,
Muitas, que em mim não cabem.
Duas janelas discretas,
Que fecham e não se abrem.

Também vejo sete cores,
Em nuances diferentes,
Que dependem de fatores
Para ficar reluzentes.

Vejo um lago sossegado
E doce como é doce o mel.
E outro que é agitado,
Amaríssimo como o fel.

Do livre autorretrato
Que fiz de mim sem esmero,
Surge o meu substrato
Num quadro lhano, sincero.

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