terça-feira, 22 de abril de 2014

Navegando (Diasíncrofo)



"Navigare necesse; vivere non est necesse" .
Pompeu

Patrulho meu mar com anteparo
Alerta a qualquer incursão.
O meu sonar é o meu faro,
Em meio a essa expansão.
Minha nau é à manivela.
Sequaz eu sou da cautela,
Pois o mar não está para peixe.
Só, insulada, no mar me deixe,
Porque eu quero é velejar.
O mar é para mim uma ilha.
Sem bússola e sem balestilha,
Eu quero é me arriscar.
Porém, o destino é sábio.
Mesmo que bússola eu não tenha, 
Encontro sempre um astrolábio
E muito carvão, que de lenha,
Adquiro para a viagem.
Eu não faço cabotagem.
Viajo só por viajar.
Mas sempre uso o sextante
Ou mesmo o velho quadrante,
Para as estrelas eu ver.
Meu mar é muito sôfrego
Isso eu consigo antever.
E, por ser ele tão lôbrego,
Jamais o consigo abrandar.
Deixe-me no mar sozinha.
Sou uma ave marinha;
Do mar quero me abundar.
Eu sei que viver é preciso,
Porque viver é navegar.
E pelas ondas eu deslizo,
Buscando não me afogar.

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