domingo, 13 de abril de 2014

(Des)encanto



Uma sereia presa ao próprio canto,
Que olha para a areia e, profundo,
Suspira desejando outro mundo.
Uma sereia atípica, sem encanto.

Que não deseja atrair ao mar,
Seja pelo canto ou pelo olhar,
Pois deseja ser dele resgatada.
Uma sereia quase afogada,

Não na água do mar, mas no seu pranto,
Pois que não comporta a nobre mistura,
De gente comum e rara criatura,

Que a faz suscitar desejo e espanto.
Um ser taxado por toda a gente
De ser fantástico, por ser diferente.

2 comentários:

J Ribas disse...

muito bem colocado esse paralelo do mítico com os conceitos pré-concebidos que existem na humanidade. ficou um soneto bonito!

Suely Andrade disse...

Muita sensibilidade e percepção em você! Fico grata pela visita!