terça-feira, 1 de abril de 2014

Beatrice

A dileta e sutil bela figura,
Ao passar, transmuta a sua alma;
Sua face empalidece, transfigura;
Sua paz absorve, haure, empalma.

E, sendo-lhe a paz toda empalmada,
Envolto numa moléstia que lhe cura
Pelo divino olhar, doce mesura
Da musa em sua alma entalhada.

E não intenta, pois, nem um prazer
Que não seja o retrato da imagem
Da figura que lhe faz padecer,

Pois toda hora sua mente a mira,
Aludindo a um celeste ser
A imagem dos versos de sua lira.

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