quarta-feira, 23 de abril de 2014

Rapsódia sobre Dias de Melancolia


Dias cinzas.
Uma capa cinza me cobre a visão,
E assim, todas as coisas que eu vejo.
Cinzas, acinzentadas como nuvens pesadas.
Uma profusão de lividez meu olhar capta,
E todas as lindas cores são agora aquarelas esmaecidas.
Derramam-se formando aluviões num profundo refrigério.
Cada  descoloração vem com um espasmo
De dor, circular, como todo espasmo.
E, através  das minhas lentes lacrimejadas, 
A  tarde me parece uma velha adoentada e solitária,
Em sua fluência lenta e apática.

Gota a gota
A tarde pinga. 
O Sol desmaia. 
O Sol não quer ir; 
Parece querer encontrar a noite,  
Que chega também de mansinho.
A noite chega e me agarra.
Negra e sombria puxa-me. 
O seu  canto  é um gemido lá do seio,
Oriundo de  uma pontada lancinante.  

A  glória que, tão inerte
É só ilusão, ideias mortas. 
Prenda enganosa. 
Alegria mentirosa,
Que causa a morte do sonho,
Sem  outras possibilidades de enredo. 
Tantos planos gastos...
A latência da esperança 
É contida, 
Então, a noite chega e me agarra.
O seu negrume escorre
E tinge a minha agonia
Como o luto tinge a morte.

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