domingo, 2 de março de 2014

Fé (Para Álvares de Azevedo)


Ah, que sorte a minha, que desgosto!

Dos lábios meu riso desaparece. 
E aos meus olhos tudo escurece.
A fruta mais doce perde o gosto.

Meus lamentos aparecem no rosto.

Tenho medo de não crer mais na prece,
Pois a fé é pouca se a dor cresce 
E dela ocupa logo o posto.

Já não tenho a fé que ontem tive.

Ateus, ateus, são os meus pensamentos.
A minha crença não mais sobrevive. 

Ter esperança não é mais possível. 

Não se tem horizonte sem o Sol,
Porque sem a fé nada se faz crível.

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