quarta-feira, 26 de março de 2014

“Enfant terrible” (Para Arthur Rimbaud)


Tinha a arte de renegar o sossego,
A religião, a forma e os costumes.
Regurgitava a consumição do pego
Com o fel das provocações ou dos queixumes.

Sua rebeldia lhe habitava os versos.
E foi consigo mesmo um tanto ultrajoso.
O prenunciador de hábitos transversos,
Criando o surreal de traje criminoso.

Teve da crítica golpes de um verdugo.
E foi para poucos como o são os brilhantes:
"Shakespeare adolescente" pra Victor Hugo.

Controverso garoto sem rumo, sem fé.
Andarilho de trilhas das mais aviltantes.
"Viajante notável" para Mallarmé.

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