sábado, 1 de março de 2014

Combustível


Entre o meu mundo e o infinito, 

Há um desejo pequeno e bonito; 
Um desejo frequente.
Dele me farto. 
Com ele me abasteço de ânimo. 
Cada lume que ele me acende 
Eu recolho e transformo num facho.
Este desejo é pintura para meu rosto 
E para meu olhar é um lago extenso,
Num quadro que não fica exposto,
Mas que eu elaboro quando penso.

Tornei-me uma pintora contumaz

E otimista.
Minha pintura é tecida 
Dentro do meu ensejo
De ver coisas que não quero,
De querer o que não vejo.

Ó, mas a vida é isso: 

Queremos sempre a outra margem.
E quando a atingimos,
Não queremos a ancoragem.
Queremos a margem oposta,
Por isso o sonho é pequeno,
É bonito e efêmero.
Ele sempre se renova
Em uma nova proposta.

Nenhum comentário: