sexta-feira, 28 de março de 2014

As Palavras...




São como folhas que caem das árvores
Ou como pássaros que pousam leve.
Umas queimam muito como a urtiga,
Outras, gélidas, são como a neve.

Às vezes, tal lâminas afiadas.
Noutras vezes, são como curativos,
Deixando as almas aliviadas.
Noutras, breves, ágeis, são incentivos.

Plumas de pavão ou o mimetismo
Do camaleão ou, ainda, a cor
fluida de algum organismo.
Ou nuvens em algodão e seu brancor.

Ou são peças de um quebra-cabeça.
Ou se travestem com muitos enigmas,
E somem antes que se adormeça,
Carregando consigo seus estigmas.

Essa é a mágica das palavras:
Transmutam-se como as borboletas,
Embora amenas se mostram bravas.
Há quem as use como "muletas",

Mas há quem com elas seja tão hábil,
Tão apto, proficiente, prestímano,
Que as use como usa um sábio
Os erros para seu próprio estímulo.

Destarte, elas sobrepujam a quântica.
Desfilam, passeiam, fluem, concebem
O leque colorido da semântica,
Para quem sabiamente as desvestem,

Muito embora, haja quem as use
Sem harmonia, senso ou estilo.
O que importa sim é abraçá-las,
Assumindo-as sem pudor ou sigilo.

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