domingo, 2 de março de 2014

Antiode à Ilusão




Ó, ilusão enganosa, amiga sem piedade,
Tu insistes em tornar-te atraente!
Aproveita-te da insanidade
Que se apossa de toda a gente .
Falsa amiga, essa é a verdade!
Vã esperança da humanidade...
Com tua dissimulação te travestes de bondade.
E, no entanto, não passas de miragem.
Enganas a todos, sem exceção,
Mostrando vantagem
E satisfação.
Mas é dor que tu deixas.
Dor, sim, tristeza, queixas
E muita decepção.
Isso tudo e muito mais tu fazes.
Então te vais deixando o lamento
Dos que te tiveram como sina;
Aos que tu enganaste, adoçando-lhes a boca.
Vã esperança, a projetar nas mentes
Um cenário de ofertas,
Uma imagem oca.
Ó, amiga vã,
Sonsa: inimiga!
Cá me deixaste entontecida,
Sem dias atraentes.
Minhas manhãs de cinza são cobertas,
Por ter sido por ti atraída.
Por ter-me encontrado tão carente,
Em ti vi a única saída.
E tu me deixaste tão doente!
Ó, falsa amiga que encontrei na vida!
Desejo de ti longa distância,
Já que és miragem.
De que vale a falsa esperança?
De que vale encher alguém de coragem,
Se tu somes como uma visão,
Sem ter sequer compaixão?
Prefiro a clareza da realidade.
Essa sim, mesmo sendo dura,
É boa amiga;
É clara; não obscura.
Despe-se de mentira; veste-se de verdade,
Para que a vida prossiga
Sem rodeios, sem enganação.
Sem que se caia nas tuas malhas, ó ilusão!

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