quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ao Menino de Nuremberg (A Kaspar Hauser)

Seu universo eram quatro paredes
Num chão batido.
Sobre a palha dormia e brincava abatido.
Tanta sede!
Sede de água;
Sede do que não sabia.
Tanta mágoa
Não lhe cabia
No peito.
Enlaçar os brinquedos lhe parecia perfeito.
Depois, ganhou um andar manco;
Um falar principiante,
Meio estanco.
E foi-se de forma deveras intrigante;
Da mesma forma como veio,
Tendo da vida como esteio,
Para o corpo: pão e água
E uma esteira de palha.
Para a alma: fitas azul e vermelha;
Um cachorro e cavalinhos de madeira;
Papel, lápis e uma cadeira.
Mais nada.

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