domingo, 29 de setembro de 2013

Sombras



O meu olhar faz-se embaçado;
Nada enxergo que não seja dor.
Tenho na boca só amargor
Dos dissabores por que tenho passado.

As sombras são tantas e nefastas.
E assombram a luz do meu pobre riso,
Fazendo as minhas forças gastas,
Num enevoar medonho e preciso.

As tardes são velhas traiçoeiras,
Que chamam a treva e o arrepio.
Até as aves tornam-se agoureiras,
Guardando o chilreio, emitindo o pio.

A minha voz tem o tom funesto,
Das ladainhas da última hora.
Vai diluindo-se em som modesto,
Na madrugada que tece a aurora.

No meu jardim, que antes festeiro,
Nenhuma flor faz-se sorridente.
A morte punge, ceifa o canteiro,
Punindo a vida severamente.

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