domingo, 29 de setembro de 2013

Ledo Engano (Logro)


Esguia-se
De tudo nesta vida:
Da pausa ao pedestre,
Dos sorrisos
Dos cumprimentos...

Recolhe-se
Dos favores, dos gestos.
Não se gosta mais de gentilezas,
Porque as gentilezas são gatos; não lebres.

Gosta de gentilezas
Quem acredita em milagre,
Porque as gentilezas vestem-se de vinho, mas sendo vinagre.
No entanto, não se impede o crédito nos bons gestos
Dos benfeitores e das samaritanas;
Dos cavalheiros e das damas.

Nem as vítimas das mais mirabolantes ideias;
Nem as provas concluídas;
Nem os estragos pelos golpistas;
Nem os veículos de informações maciças;
Nem a confissão dos caras lisas.

Vinagre não mata sede
E é difícil se crer em milagre
Sem nele se pôr a retina,
Mas...

O inacreditável sempre acontece e isso é a bobina
Para não se perder de todo a confiança
Em quem “gentilmente” lhe engana.
Então, há sempre um jeito
De se entender gestos caóticos:
“É um defeito”.
Além disso, logo se fica desmemoriado,
Tendo sobre o fato flashes módicos,
Até a próxima investida enganosa,
Trajada de compaixão,
Educação, respeito
Amizade...
De ombro amigo...
De prestimosidade.

Ninguém impede os farsantes de encenar o bem-fazer.
Mas, se você
Confunde vinho com vinagre,
O que fazer?
O jeito é saborear o gosto agre
Do logro
Da decepção, do malogro.


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