domingo, 29 de setembro de 2013

Insight - Suely Andrade & Radyr Gonçalves


O ritmo da minha angústia não se ajusta a essa música.
Velhos poemas encharcados, musicados, fazem-me chorar...
Há tanto de mim nesses espantalhos;
Nessas bonecas de retalhos.
Nesses balões, Nessas fogueiras arteiras...
O jogo da minha dor não cabe em qualquer poema.
É descomunal, a minha dor, moça pequena!
Há tanto de mim nesses cães de guarda.
Nesses chafarizes que choram infelizes sem casais a apreciar...
Há tanto de mim nesses cardumes inquietos.
No vai e vem serelepe dos insetos nos galhos.
Nos ângulos obtusos e retos
Da geometria, a espalhar
Figuras
De natureza humana.
Há tanto de mim
Nas vias e suas estreitezas.
Na amplidão e suas latitudes.
Na essência inesgotável das incertezas.
Nas páginas monótonas de um folhetim.
Nos pássaros, que migrantes,
Anseiam pelas altitudes
De seus desfiles errantes.
Há tanto de mim...
Nos sons que emergem tímidos ou agudos.
Na intensidade intrínseca dos manifestos mudos.
Em cada pedaço da vida que me invade,
Pelas veredas embutidas na cidade.
Há em mim tantas lógicas, tantos absurdos...
Há tanto de mim que em mim não cabe...

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