segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Canção da Lua para alegrar a vida. Suely Andrade & Radyr Gonçalves


Esvai-se do Sol o amarelo;
Os tons neutros jazem acima.
O escuro traga o dia num duelo.
Daqueles tons se finda a sina.

Vago infante em pensamentos,
Buscando o bálsamo para o tormento
Nas cores que a vida me tira,
Catando luz em favos de lira.

À frente, minha vista contempla
O breu, os vultos que perambulam...
Acima minha alma se alimenta
Do pontilhar das estrelas que o breu regula.

Eis que surge rica esperança,
Naqueles traços que no céu lumiam.
Enchendo a minha alma já castigada
De uma leve e estranha alegria.

Nessa hora escura, em que o Sol desmaia.
E que a claridade deixa tudo pardo,
A Lua brinda o chão da praia
Tal Boião de leite de Cassiano Ricardo.

Imprimo, então, nas minhas retinas
Essa imagem da Lua menina,
Que se acolhe de forma faceira,
Nas ancas do mar da Ribeira.


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