domingo, 29 de setembro de 2013

Alfarrábio


Estraga os olhos e a mente,
Num pacto já sacramentado.
Esquiva-se do escuro num desamparo
Que beira ao desmaio
E desfalece no rodapé,
Sem ter tempo pra ensaio.

Afunda em grande estio,
Mas, nos olhos,
Água pouca é bobagem.
Nenhum oásis
Na sua miragem,
E uma fome atroz de saber.

Têm cheiro as páginas amarelas,
Folheadas pelas mãos magricelas.
Tentativa apenas de esquecer
O ócio, o inútil que, de tão perto,
Parece crescer e crescer.

Um acinte à sua argúcia,
Mas o quarto é um porão quase vazio.
Morada de bicho de pelúcia.

A alegria, chama breve de pavio.
A monotonia da falta de opção
Desespera.
Não há um porto seguro;
Somente a espera.

Seu escasso acervo de aventuras
Afogam-na em leituras do mesmo alfarrábio,
Regadas a músicas que saltam do rádio.

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