quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ladainha do Adeus


Despeço-me aqui.
Agora, é de vez.
Quero mesmo ir.
Não vou contar até três.
Desisto!
Eu nunca insisto.
Não sei por que ainda não fui.
Nada entre nós flui.
Nem amizade...
Entre nós não há verdade.
É só fingimento.
Coisa simulada.
Pensamento.
Não vai dar em nada.
Não há consideração.
Não há afeição.
Só encenação.
Nada é realista.
Não há sequer conquista.
Estou cheia de você.
Quero que desapareça.
Que suma.
Que esqueça
Minhas falas,
Uma a uma.
As suas já esqueci.
Foram tão ralas!
Não me compadeci.
Apaguei-as.
Eram todas feias.
Sem efeito.
Desculpe-me, eu lhe peço.
Não sei xingar direito.
Assim, me despeço.
Até outra hora.
Não, não creia
Em toda linha que escrevo.
Eu não consigo ir embora,
Mas me atrevo
E ensaio demais.
E, quando me arrependo,
Eu me rendo
E sempre volto atrás.

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