sexta-feira, 7 de junho de 2013

Sereno no Mar




Molha-me o céu do mar perene e franco.
Penetra-me de jeito; tomo banho frio.
Ando tal besouro sem luz, tonto e branco,
A esmo, sem um toque; sinto calafrio.

Banha-me! Com tremores, por instantes, ando.
Busco afoita as estrelas pálidas; sorrio.
Ao vê-las quentes, a tudo iluminando,
Salto acalorada tal chama de pavio.

Molha a mim! Banha-me assim com seu manto.
Afora, a temperatura alheia,
Predomina aqui um ar que arrepia.

E, enquanto eu resfrio neste recanto,
Com vigor faço traços que deixo n'areia,
Que debaixo de todo o céu o espia.

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