quinta-feira, 13 de junho de 2013

Dispar(i)dade


Naquele dia cinzento,

Havia tempestade.
A areia e o sal batiam-me no rosto,
E vendo a vida pela metade:
Noite vinda; 
Sol já posto,
Eu era dia ainda
Na suavidade do rosto.
Mas a minha idade não era a do corpo!
A minha alma era velha!
Meu relógio era torto.
Na minha taça não havia groselha.
Havia chá de austeridade
E um “eu” taciturno,
Que, às vezes, trocava de turno
Com um “eu” menos grave.
Um “eu” que chutava a bola,
Que ia dar lá na trave.
Um “eu” que pulava numa mola,
Quando queria raiar,
E o rosto ensolarar.
Porque, se a alma envelhece,
O corpo inteiro fenece.
Então, eu me escondi a tempo
De minha alma não enrugar.
E sorri bem a contento,
Pois que a tempestade, naquela hora, 
Era um leve vento
A soprar dentro de mim e lá fora.

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