terça-feira, 2 de abril de 2013

Um velho senhor


Eis que era um senhor cheio de graça,
Um senhor amável;
Desses que não oferecem ameaça.
Era um senhor de um charme incontrolável!
Era constante e altivo.
Ficava gigante na ponta de um pincel.
Era intenso!
Era também galanteador, cavalheiro...
De sorriso imenso!
Andar maneiro...
Piscava para mim e me tirava o chapéu.
Era um senhor assíduo e pontual
Que habitava o meu sensorial.
E me levava a vagar tirando-me do chão,
Pois era o senhor da divagação;
Que me conduzia ao jardim
Das flores que brotavam em mim.
E, depois, me trazia de volta ao solo.
Então, eu o carregava a tiracolo;
Tanto ao acordar, quanto ao dormir.
Era o senhor das brincadeiras;
Das minhas vontades guerreiras;
Das minhas lágrimas festeiras...
Era ele o senhor divertido.
Aquele que vivia embutido
Na minha cabeça oca.
Nas curvas da minha boca.
Que transformava a insipidez
Num banquete a rigor
E lhe dava pleno sabor,
Com muita rapidez.
Porém, quando eu cresci,
Aquele senhor eu perdi.
Mas não o perdi de vez.
Às vezes, eu o encontro
Num ou noutro ponto,
Dos meus percalços, dos meus prantos...
Nos meus pensamentos mais sãos
Que os corações frios dos humanos chamam de insensatez.

E lhe estendo minhas mãos.

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