sexta-feira, 12 de abril de 2013

Solidão



Eu era um ponto
No meio do caminho;
Um ponto sozinho.
Era o elemento
De um conjunto unitário.                             
Na minha lente de aumento,
Eu era um gigante solitário.
Era um personagem tonto,
Que contava um conto,
Mas não aumentava nada.
Eu era um ponto na estrada.
Eu tinha peso nos pés;
Eu me arrastava.
Não havia marés
Que me jogassem na praia.
E, sofregamente, eu buscava a raia,
Mas o meu limite era além.
Eu era um estranho no ninho,
No meio do caminho,
Sem intercessão com ninguém.
Eu era uma aresta
A ser aparada,
Uma seresta,
Não tocada.
Eu era um algarismo,
Uma letra borrada,
Sem começo nem fim,
Eu era um abismo
Perdido dentro de mim.

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