segunda-feira, 8 de abril de 2013

Expurgação


De mim vertia  um choro  convulsivo.

Meus olhos as lágrimas vomitavam.
Espasmos emergiam  da minh'alma;
O mesmo choro que, noutra hora esquivo,
Escondia-se numa aparente calma,
Nestes olhos que as estrelas imitavam.
     (...)
E me escorriam internamente gotas salsas... 
Elas desciam
Como se dançam as valsas
Lentas, e por dentro de mim escorriam.

Então, esse medonho agouro,

Que me fora íntimo outrora,
Naquela hora, era como um estouro
De  grande proporção sonora.

E a expansão desse pranto,

Que irrompia como rasgo de coruja,
Espantou a alegria, a vida, o encanto
Deixando a minha alma um  tanto turva.

Depois, vazia dos soluços convulsivos;

Mais leve do pesar, do tal martírio.
Porque as lágrimas de nossa alma são colírio,
Que atenuam os sentimentos exaustivos.

Então, após o pranto exasperado,

Eu tive o meu espírito aliviado,
Pelos bons auspícios que  surgiram.
E o sal que das gotas emergia,
E tudo o mais que salgado fosse,
De alguma forma fluía,
Agora, levemente doce.

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