segunda-feira, 11 de março de 2013

Bofetada



As horas vêm e eu disfarço.
Ansiei-as tanto em segredo,
E quando chego àquele regaço,
Tento pensar em outro enredo.

Eu bato palmas para mim.
Quanta resistência a desilusões!
Eu me fortaleço assim,
Com tantas mágoas e decepções.

Deixo de lado todo o antigo ritual.
Esqueço aos poucos, pois a distância tudo estraga.
Fica para trás o desvelo habitual,
Mas para a saudade sempre haverá uma vaga.

Um alerta me impacta como uma bofetada:
O doce que eu tanto apreciava,
Que me apetecia a alma, que me aliviava;
Era uma iguaria estragada.

O tombar e as quedas dolorosas,
E suas sensações tão encobertas;
Acabam murchando as rosas
Que em minh’alma estão abertas.

E as porções de ternura e alegria
Ficam apenas na lembrança
Como uma visita que veio e se foi um dia
Como doce estragado tirado da boca de criança.

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