terça-feira, 19 de março de 2013

Asas Saradas




Sem documento, sem lenço,
Lançando-me estou ao vento.
Sem paciência, sem calma,
Sob a custódia do tempo.
Eu não reflito; não penso...

Meu coração parece de pano,
Mas é de aço!
Embora todo coração humano
Seja fadado ao fracasso.
Ser assim inoxidável
É um tanto soberano.

São aos cumes que mando o aviso:
Esperem-me de braços abertos,
Que eu aí chegarei de improviso.

Destino, mude seus passos.
Assombra-me pensar no fracasso
Aonde me levam seus pés.
E esses sonhos de frouxo laço;
Que levem pra longe as marés!

Nem todos os testes por que passei;
Um ou outro erro;
Os tortos caminhos que tomei;
Nem todas as reviravoltas na estrada
Fazem-me acreditar que fracassei.
Os passos em falso me são hoje acervo.
E as minhas asas quebradas
Regeneraram-se; receberam conserto
E, hoje, se encontram saradas.

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