sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Falso zelo


Estou imersa no vale da solidão.
Vejo tantos pássaros, borboletas, flores.
Falso contentamento, mera ilusão;
São apenas espasmos de antigos amores.


Tantos momentos de encantos desfeitos
Insistem, teimam em me acompanhar.
Sorrisos, olhares, abraços; gestos do amar.
São momentos pela minha saudade refeitos.


Cáusticos são os meus dias,
Vivendo agora uma extrema desilusão.
Farta estou das falsas melodias
Que em outros momentos me encantaram a audição.


Pobres destes dias tristes e feios!
Gemem sua existência,
Gritando minha dor, evocando meus anseios,
Numa constante insistência.


E, assim, passo alguns momentos.
Tão meus; só a mim pertencentes.
Nestas minhas revisões tão presentes
Nestes meus relatos recorrentes.


Quando os arrumo e cuidadosamente os guardo
Insanamente com muito desvelo.
Na verdade, é apenas dor; falso zelo,
Que em mim se cristalizou neste fardo.






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