sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sapo




Era um anfíbio adulto jovem, meio confuso e prepotente.  Não tinha grandes propósitos na vida. Seu principal interesse era o de acasalar. Muitos sonhos vazios ali na sua lagoa cheia... Já tinha feito muita besteira, frequentado muitos lagos e rios pelo mundo. Ultimamente estava num pântano obscuro, quando, depois de muita luta, conseguira chegar à sua lagoa.
 Sapo se apresentava faceiro e cantarolava músicas para atrair as fêmeas. Sim, várias fêmeas. Era um sapo do tipo poligâmico. Costumava fingir-se de carente, faminto, dolente, para atrair alguma companheira. Ele, na verdade, vivia muito bem sem a ajuda feminina. Ele se virava bem na cozinha; não vivia faminto como parecia. Nem vivia tão sozinho; ele sempre recebia visitas femininas em sua lagoa. Sua fome era bem outra.
O Senhor Anfíbio tinha ares de príncipe e queria impressionar sempre, por isso demonstrava humildade e boas intenções. Para isso ele até esparramava no chão um tapete vermelho para as tolas plebeias. Ele as chamava de princesas e era sempre muito cavalheiro com as mesmas
Sapo cantava bem e fazia serenata para as fêmeas. Ele gostava de impressionar também com sua aparência.  Em sua condição de sapo, era bem atraente. Dava saltos altíssimos e tocava instrumentos. Emetia coachares longos e altos porque não gostava da solidão e fazia tudo para atrair companhia.
 Reclamava que as fêmeas não lhe valorizavam e que zombavam de seu bom e nobre coração, porque já não havia mais sapos românticos como os de antes. Então ele preparava seu belo texto de sapo cavalheiro e seguia com a fita cotidianamente.
Pegava mosquitos para presentear à mulherada e aprendia novas canções para atraí-la e conquistá-la. Sempre enganando ele se achava esperto e descolado. Decepcionava umas fêmeas, conquistava outras tantas, até que um dia sua lagoa secou e o sapo teve que virar homem. Aí foi que a coisa pegou. Sapo quis agir como agia com as fêmeas anfíbias.
Sapo se deu mal. Quer dizer, sapo não, homem. Homem?  Isso é que não!  Não era sapo, nem era homem, não era nada! Aí ele teve que mudar a estratégia. Teve que recomeçar do zero. Acho que hoje ele é um girino, vivendo no raso de uma lagoa qualquer. Dizem que foi feitiço de uma fêmea bruxa a quem ele mentiu.
Seu castigo foi ser transformado fisicamente em homem. Mas aí, sua fada madrinha conseguiu reverter parte daquele poderoso feitiço, dando-lhe então a oportunidade de recomeçar. Resta ao sapo aproveitar a nova chance e dessa vez agir como um verdadeiro homem.

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