quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Salto Alto



A mulher está sempre pronta para alguma surpresa desagradável: a raiva da atitude de alguém; de ter errado o caminho para algum lugar; de ter esquecido algo cuja lembrança era indispensável. Sempre é muito ligada a possíveis fatalidades e, embora sofra com as agruras da vida, está disposta a recomeços.
Quando se fala em fragilidade feminina, geralmente, o que se vem à mente é mesmo o lado físico, visto que as mulheres detêm uma grande força espiritual. A uma mulher não se pergunta: “Você vai aguentar esse sofrimento”? Normalmente se pergunta se ela vai aguentar o peso de alguma coisa. Se vai conseguir carregar as sacolas ou levantar um móvel na hora da arrumação.
A condição de frágil se encaixa nela apenas pelo lado físico. Mas isso não é fator decisivo para suas atitudes cotidianas. Se tem um trabalho estressante, mora sozinha e/ou possui família carente que dela precisa muito; isso só faz de si alguém mais forte.
Mas quando há a necessidade de carregar sacolas, suspender móveis, carregar crianças ao colo, sua força interior se sobrepõe à força física e ela segue em frente decidida a chegar ao seu destino, mesmo que sobre um salto alto elegante, fino.

E mesmo que esteja sozinha com medo, sentindo-se feia, gorda, velha ou infeliz, ela se maquia, se enfeita, põe um bom perfume, um batom da moda e vai ao cinema assistir a uma comédia.
E se no caminho para o cinema ela encontrar, por exemplo, um gatinho no galho alto de uma árvore, faminto e apavorado, ela tira o salto, faz um coque rápido e escala a árvore (mesmo que sinta medo) para salvar o gatinho, como se salva um filho.
E se de alguma forma é aviltada, desprezada, desprestigiada, ela dá a volta por cima e mesmo despenteada, fragilizada, desempregada, segue seu rumo derrubando as barreiras. Pode cair, é verdade, mas se levanta com a destreza de um gato, com a rapidez com que caíra e põe o salto alto para somente dele descer, se a causa for justa.

Nenhum comentário: