sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Paciência




Tenho que buscar a paciência. Preciso dela para poder ruminar certos sentimentos, uns tantos pensamentos, umas atitudes; ideias que me surgem e que preciso amadurecer.
Preciso aspirar o ar profundamente e deixar meu cérebro raciocinar lucidamente para, então, tudo em mim se equilibrar. Para eu pôr os pés no chão, sair da órbita e à realidade voltar plácida, dócil e compreensiva.
Necessito de paz para eliminar as coisas densas que surgem durante a vida e que em algum momento eclodem sem que eu possa deter, sem que eu nada possa fazer.
Gosto de nesses momentos, poder olhar o céu carregado de nuvens contornadas de salmon. Aquele efeito que os raios do Sol dão às nuvens ao entardecer, pois isso tudo me acalma gradativamente. É como se eu subisse uma escada e a cada degrau conseguisse atingir um nível maior de paciência.
Vejo na paciência, um sentimento edificante que me lapida, me norteia e me ensina.  É como se ela me falasse:” Preste atenção, você já vai fazer tudo errado de novo”!
Durante a vida, eu tenho aprendido a ouvir a sua voz  e a exercitar o seu uso. E é impressionante como ela é uma boa professora, uma boa disciplinadora...
É em vão perdê-la, meter os pés pelas mãos sem querer conhecê-la ou ouvi-la. O bom é saborear os momentos tendo nela um elemento a mais para aguçar a minha percepção de tudo, inclusive das coisas que não me são proveitosas.
É por tudo isso que hoje levo na minha bagagem, além de outros sentimentos que me são intrínsecos, a boa e velha paciência, minha pombinha branca. E embora isso não faça de mim uma pessoa perfeita,  me ajuda a ser de alguma forma mais feliz, pois o fato de hoje compreender melhor a vida, me torna uma pessoa mais lapidada e, consequentemente, alguém  mais nobre.
Para isso tive que ficar imberbe, de molho por muitos anos, até que pudesse olhar para trás e ver o longo e árduo caminho que fiz sem dar as mãos a ela, para finalmente, olhar e ver uma luz no fim do túnel, acenando para mim e dizendo assim: “Oi, filha, eu sou a paciência, dê-me  de vez suas mãos”!
E, assim perceber que ela, a pombinha da paz, neutraliza as coisas ruins e me possibilita uma nova versão para tudo, fazendo dos nós de marinheiro, simples tranças que, soltas ao vento, se desfazem com delicadeza e facilidade. 

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