terça-feira, 9 de outubro de 2012

Flor do Alentejo (Para Florbela Espanca)



Neste mundo fui solitária em meus sentimentos,
Andarilha em meus pensamentos...
Monja caminhante... Fui só lamento.
E foi assim minha triste vida...

De meus sentimentos tive a companhia aguerrida.
Com meus pensamentos tracei uma poética sofrida.
Os lamentos me fizeram sôfrega pela vida.
Ah, minha vida! Desejo de contentamento...

Porém, se por um lado fui só perda e dor,
Por outro, fui de canteiros ornamento.
Cantando mui severamente o amor,
Num constante e verdadeiro intento.

Minh'alma, de amor pobre, combalida,
Seguiu a cantá-lo pela pobre vida.
Carente, esquecida, ávida por um beijo,
Tendo aos olhos a bela paisagem do Alentejo.


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