terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alma Enlutada



Meu flagelo fez-me a alma morta.
Minha intensa dor fez-me vil a existência.
A tristeza constantemente bate-me à porta.
Nada me redime, rogo por clemência!

Meu espírito habita um porão escuro, uma treva sem fim.
A dor paira em mim, embora  eu lhe rogue que parta.
A vida a mim sempre dá “não” nunca “sim”.
À minha mesa a ausência do mel fez-se farta.

Sou infeliz, morta-viva sem sorte.
A ninguém desejo ter em vida a morte.
Pois a vida intensa faz-se de contentamento,
De sentimentos bons, são pensamentos.

Ainda assim, há-me intervalos, momentos,
Em que encontro chamas nas cinzas frias.
Vestígios de esperança, áureos ventos.
Rastros de amor, porções de alegria…

E é assim que me mantenho eu viva.
Arrastando a vida sem me entregar à morte.
Uma flagelada alma altiva.
Buscando sempre o recomeçar, uma nova sorte.

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