terça-feira, 12 de junho de 2012

Ponto de Vista




E era um príncipe genuíno, montado no cavalo branco do requinte, da elegância, da estética.
Não tinha defeitos aparentes, cheirava bem, tinha dentes e hálito maravilhosos.
Não tinha olheiras, suor forte, mau-humor, maus modos, cacoetes. Não arrotava.
Era forte. Não contraía gripe. Catapora, nunca teve. Também não era desajeitado nos modos. Era fiel, não olhava para outras mulheres.
Chegava pontualmente a todos os compromissos. Não esquecia datas de aniversário e outras datas marcantes.
Não economizava elogios, nem dinheiro! Era cuidadoso no trânsito e muito solidário com as pessoas. Era assim um "gentleman" um fofo. Não fofo de gordo, cheiinho. Era atleta; barriga tanquinho. Vestia-se com bom gosto. Nada de exageros, de breguice...
Ah, não usava óculos, só esportes, daqueles discretos.
Não tinha gases, frieira, dor física, caspa, unha encravada ou frescurites. Não tinha insônia, nem sonolência.
Sabia cozinhar, passar, lavar... Lia pensamentos e era bem ágil para realizar sonhos. Também era corajoso, meigo e atencioso. Um super-homem!
Quando criança, nunca tivera piolhos, nem placa nos dentes. Não tinha medo de escuro e nunca furara um bolo com o dedo. Nem mesmo seus bolos de aniversário.
Sua barba estava sempre feita e macia. Sabia dar nó em gravata e também nó de marinheiro. Este, ele desfazia com a mesma rapidez com que o fizera.
E foi muito assim, muito intenso enquanto durou. Tomando as palavras de Vinícius em seu Soneto da Fidelidade: " eterno enquanto durou".
E lentamente aquela imagem de perfeição foi se desfazendo, dando lugar à versão comum que se tem do outro no cotidiano. E o "gentleman" diminuiu, encolheu, virando apenas "man"; em nossa língua: homem. Apenas homem, com suas imperfeições eternas.



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