terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Soneto com Mel e Porcelana (Carlos Augusto Viana)

                                            


Tens os olhos mais belos desta aldeia,
a pele da manhã inaugural;
a voz derrama harpas e incendeia
as flores que se encrespam no trigal.


Se um rio de teus passos se alteia,
guitarras enlouquecem no varal;
o sol perde o seu lume; o grão da ceia
se espalha sobre a mesa, musical.


O teu corpo é de um barro alucinado,
fruto de finas águas; e os tecidos
que o cobrem têm um âmbar cultivado
por dedos de farândulas tingidos.


Melodias azuis, mel derramado
na cega porcelana dos ouvidos.

Nenhum comentário: