quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Liberdade (Miguel Torga)

— a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio 
 Liberdade, que estais no céu... 

olha.la
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra... 
E triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.    

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