sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Convite (Gilberto Mendonça Telles)


Vem comigo para dentro
da palavra multidão:
de mãos dadas somos vento,
somos chuva de trovão.

Se uma andorinha sozinha
não pode fazer verão,
vem comigo mais ainda
para dentro da expressão.

Cada letra tem seu ninho
de palavras no porão:
vem tirá-las de seu limbo,
vem fazer tua oração.

Dentro de cada palavra,
no seu timbre e elocução,
saberás de peixe, cabra,
de liberdade e quinhão.

E até na palavra nova,
bliro, ilhaval e zirlão
alguma coisa se dobra,
tem sentido a sedução.

Pega portanto uma letra,
pega a palavra invenção
e transforma em borboleta
um risco arisco no chão.




É no centro da linguagem,
no seu silêncio e pressão,
que se dedilha uma casa,
que se desenha a canção.

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